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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ALEXANDRE SILVA, O JUDOCA QUE CONQUISTOU UM TITULO QUE "FUGIA" AOS ATLETAS DO NORTE HÁ...21 ANOS



 O MEU OBJECTIVO É SER CAMPEÃO OLÍMPICO


Alexandre Silva, atleta de Judo do Boavista F.C., sagrou-se recentemente Campeão Nacional de Seniores. Este título tem um significado ainda mais especial pelo facto de nos últimos 21 anos nenhum judoca pertencente a um clube do norte do país o ter conseguido conquistar.

Quem é o novo Campeão Nacional de Judo?

Chamo-me Alexandre Silva e tenho 22 anos. Nasci em Cabo-Verde mas tenho a nacionalidade portuguesa desde que nasci. Vim viver para Portugal em 2012. Actualmente estudo na Faculdade de Economia do Porto.

Como nasceu a paixão pelo Judo?

Começou há 16 anos quando tinha apenas 6 anos de idade. O meu irmão já praticava Artes Marciais e como o acompanhava passei a gostar, ficando para sempre ligado a esta modalidade.

Em que clube te iniciaste e quais as tuas opções em Portugal?

Iniciei-me em Cabo Verde e, após a minha vinda para Portugal pratiquei durante pouco tempo na Escola Nuno Delgado em Lisboa. Lá aconselharam-me para treinar com o Prof. Pedro Pinheiro e, por esse facto, vim para a cidade do Porto, optando pelo Boavista onde já me encontro federado desde 2012.

Como tens conhecimento, o título que conquistaste termina com um longo jejum para os atletas nortenhos. Esse facto teve significado especial para ti?

O facto de ser há 21 anos, ou não, não tem grande significado para mim. O que sei é que, como qualquer atleta, eu tinha barreiras, adversários fortes e ambição. Esses eram os meus desafios que tinha que encarar sem pensar em qualquer outra situação. Trabalhei e treinei intensamente para conquistar o título, cumprindo assim a minha ambição.

No decorrer da prova houve algum momento mais difícil, aquele em que sentisses que o título podia fugir?

Tive um bom sorteio com um programa que considero ter sido mais facilitado. O primeiro combate ganhei-o com alguma facilidade, mas o facto é que nenhum combate foi verdadeiramente fácil. O segundo combate foi disputado até ao fim mas estive sempre por cima e controlado. Na final estive em perigo em dois momentos, mas soube lidar bem com eles e depois fui eu a assumir o risco, controlando o combate e ganhando por “hippon”.

Raramente se ouve um campeão explicar a prova com tanta humildade. És um atleta humilde ou é a tua própria natureza?

Não acho que seja humildade, é apenas a verdade dos factos. Quem vir o filme do combate verá que existiram duas vezes em que eu poderia ter sido derrotado. Na primeira vez ele atirou-me e eu consegui fazer uma manobra de ginástica no ar e sair sem ser marcado. Na segunda ele esteve quase a conseguir apanhar-me no chão, mas consegui escapar. São factos.

Depois desta conquista viajaste para o estrangeiro – Barcelona e Mónaco – com a selecção nacional.  Já fazias habitualmente parte das convocatórias ou aconteceu pela primeira vez?

Em juniores fui Campeão Nacional e passei a fazer parte da Selecção Nacional Júnior, fazendo estágios e provas internacionais. Na Selecção Seniores só agora é que participei em estágios internacionais.
Entre as duas selecções há uma diferença muito grande. A competição do Mónaco, sendo uma competição colectiva, foi a minha primeira competição internacional de sénior. Individualmente, a minha primeira prova internacional será em Fevereiro… se for convocado, claro.

A partir desta conquista, sentes-te mais observado e com mais responsabilidade?

Eu acho que continuo a ser o mesmo, embora considere que agora o objectivo é outro. Pela minha parte vou dar sempre o máximo, como sempre o fiz.

Que títulos ou resultados mais significativos obtiveste no teu passado?

Desde os dezoito anos que conquistei sempre o título de Campeão Regional de juniores, sub-23 e seniores. Fui Campeão Nacional de juniores em 2013.  Fiquei em segundo lugar na Taça Europeia que se disputou em Itália e o mesmo lugar na Taça Europeia que se disputou na Corunha.

Valeu a aposta que fizeste aos seis anos?

Eu não fiz aposta. Aos seis anos gostei e fiquei e não estou nada arrependido.

Qual a realidade do Judo do Boavista?

Eu acho que o Prof. Pedro Pinheiro e o Departamento de Ginástica do Boavista onde está inserido têm feito um ótimo trabalho. Na zona norte não existem os recursos necessários para um grande desenvolvimento, ao contrário do que sucede em Lisboa. Mas o Boavista, em particular, tem desenvolvido um excelente trabalho e acho que é só uma questão de tempo até que os principais títulos nacionais sejam concretizados de forma natural.

Que objectivos no judo para o futuro?

Como há muito tempo tenho dito o meu objectivo é ser Campeão Olímpico. Ser Campeão Nacional nunca mudou a minha atitude porque o meu verdadeiro objectivo é ser Campeão Olímpico.


Achas que irão ser necessários mais 21 anos para um campeão poder dizer “sucedi” a um tal Alex?

Seguramente não vão ser necessários mais 21 anos. Eu acho que brevemente haverão vários Campeões Nacionais seniores da zona norte e alguns serão do Boavista, porque se está a realizar um excelente trabalho liderado pelo Prof. Pedro Pinheiro.

Há futuro para os Judocas do Boavista?

Há, sem qualquer dúvida. O Prof. Pedro Pinheiro está a fazer um trabalho excelente, temos talentos, temos trabalho, temos futuro.

Entrevista de 
Manuel Pina