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domingo, 3 de julho de 2016

JOÃO MARQUES, FECHA E LANÇA ÉPOCAS DE FUTSAL SUB-20, EM GRANDE ENTREVISTA

Para encerramento da época e lançamento da próxima, realizamos uma entrevista de fundo com o técnico axadrezado da equipa de futsal, do escalão de Sub-20, João Marques.


Nesta, longa mas profunda entrevista, abordamos vários pontos de interesse, analisando o passado, falando do presente e antevendo o futuro.

Na minha opinião, o Boavista, realizou uma excelente época neste escalão, mas como seu responsável técnico, como a analisas na sua globalidade?

Primeiro, devemos referir, que foi uma época diferente de todas as outras, que tive como treinador aqui no Boavista. Foi uma grande oportunidade que conseguimos por mérito próprio, ao disputar um campeonato tão competitivo, como foi este campeonato, que em valor competitivo, se aproxima muito da Liga Sport Zone, com  equipas de mais valias,  muito equilibradas. Por todas essas razões considero que foi uma época bastante positiva.

No início da época, apontavas para esta classificação?

Se eu apontasse como obejctivo, no princípio da época, as meias-finais do campeonato, não faltaria quem me chamasse maluco.
Foi uma época conseguida ao atingir essa meta, mas fica sempre aquele “amargozinho”, por termos ficado nas meias-finais, porque, quanto mais temos e conseguimos… mais queremos. Obviamente, que saímos satisfeitos com o que fizemos ao longo da época, mas queríamos ter feito um pouco mais.


Quando se perde, fica sempre uma certa frustração, mesmo depois de terem vencido a fase zonal e terem atingido esta fase. No entanto, não será um exagero, ter visto os teus jogadores saírem de campo, demasiado tristes, como se a época tivesse sido um falhanço? Saíram como derrotados, quando a época foi extraordinariamente positiva. Como comentas?

Quando começamos a planear a época, o principal objectivo era estabilizar o clube neste campeonato, para se preparar o futuro. Não era nossa aposta, ao começar a nossa primeira época neste escalão com objectivos muito altos, até porque, não conhecíamos a realidade competitiva que nos ia deparar.
O objectivo principal, foi completamente conseguido e a fasquia para o futuro, ficou mais elevada para o futuro.

Como está o planeamento da próxima época? Saíram muitos elementos?

A época que agora terminou foi uma novidade para toda a gente do clube, pelas suas exigências materiais e humanas, para a própria estrutura do departamento, etc…
Para a próxima época, a nível de plantel, vamos apostar na continuidade da maior parte dos atletas que temos e que continuem no escalão de juniores. Obviamente, que vamos perder alguns jogadores, que transitam para o escalão de seniores, mas estamos a trabalhar nos reforços e penso que vamos ter uma equipa, que com muito trabalho pode conseguir coisas bonitas, na próxima época.


Vamos analisar mais ao pormenor a equipa e o seu comportamento. A equipa marcou muitos golos, mas sofreu muitos. A que se deve tal realidade?
Até nesse ponto, acho que houve uma grande evolução. Basta ver que começamos o campeonato a sofrer dez golos com o Caxinas, mas marcando, também, oito.
Fomos uma equipa que nunca virou a cara a nenhum jogo, fosse qual fosse o adversário e nunca mudamos nada, para defrontar qualquer adversário, fomos sempre, iguais e fieis à nossa identidade. Reconheço, que tivemos algumas lacunas no aspecto defensivo, que fomos corrigindo aos poucos no decorrer da prova. Mas como já disse, nesta fase da carreira destes jogadores, que ainda são uns atletas em formação, é muito difícil trabalhar o aspecto táctico e emocional. Num campeonato tão competitivo, o lado emocional tem muita importância e houve alguns pontos em que falhamos.

A diferença de idades entre ti, que és o responsável técnico e os teus jogadores,  é pequena. Esse facto, não constituiu um problema, para lhe conseguires impor um rigor táctico que a irreverencia deles, não aceita?

Trouxe dificuldades, mas confesso que esta época foi a época que mais aprendi, que mais errei e que vai ser uma base para mudar para o futuro…

Desculpa, mas essa afirmação, significa que te consideras em formação como treinador, mas também significa que estás a evoluir…

Tal como o Senhor Pina, referiu, eles são atletas com idades de dezassete a dezanove anos e eu tenho vinte e cinco. Eu nem (quase) “irmão mais velho” deles, sou.
Obviamente, que sei que todos  eles, por causa da irreverencia da sua idade, consideram que deveriam estar em campo, por se considerarem melhor que os que lá estão. Mas até nisso, considero, que conseguimos melhorar e alterar algumas mentalidades e mudar certos comportamentos.

Utilizaste no campeonato, muitas vezes a táctica de substituir quatro por quatro. És adepto desse sistema?

Depende das situações que surgem, porque por base, não sou muito adepto desse sistema. Depende do próprio jogo. Se tiver uma equipa a jogar bem, não retiro quatro para meter outros tantos só para ser fiel ao sistema. Faço, neste caso, as substituições que achar mais indicado. No entanto, há jogos que o aplico para manter a pressão, o ritmo e a própria qualidade do jogo, alterando os quartetos com características diferentes e mantendo o domínio. Mas não sou estritamente apologista desse sistema e não considero que o mesmo  resulte sempre.



Os juniores são o último escalão de formação, onde a competição aparece verdadeiramente. O Boavista, há alguns anos que não vence a nível distrital, mas a nível nacional consegue o título o ano passado e este ano, chega às meias-finais. Isso é uma evolução natural de uma aposta para esse fim?

Quando assumi os juniores há três anos, estudamos o que poderíamos conseguir a médio prazo. Nesse ano, fizemos um plantel praticamente novo e partimos do princípio que seria o ano zero de um projecto.
Esse plantel evoluiu de uma forma estrondosa. Nesse ano, não conseguimos ser apurados para a Taça Nacional, mas vencemos a Taça da AF Porto sem conhecermos a derrota, com resultados dilatados.
No ano seguinte, vencemos a Taça Nacional, depois de termos reforçado o plantel com jogadores de fora. Temos, para além disso, lançado directamente no plantel, atletas de primeiro ano, pelo que considero que foi um projecto positivo.

O Boavista (em juniores de futsal) deixou de ser um clube da AF Porto?

Temos a consciência disso mesmo. Conseguimos conquistar a nossa posição nas provas nacionais. Sabemos que temos os olhares postos em nós e sabemos, que temos que trabalhar e evoluir para mantermos essa posição. Acho que o Boavista, neste escalão é mais considerado que era há três anos.

Está assegurada a continuidade desse projecto, ou temos algum recuo?

O que lhe posso assegurar é que o Boavista vai estar para o ano, como esteve esta época. A lutar pela vitória em todos os jogos…todos! Seja contra o primeiro seja com o último classificado.

Os reforços que vais receber garantem isso?

Quando começamos, há três anos, sabíamos que o projecto não poderia terminar três anos depois quando os atletas subissem para seniores, senão estávamos a hipotecar o futuro do escalão e o do próprio clube.
Tivemos a sorte que os atletas que têm subido dos escalões de formações mais jovens, têm apresentado grande valia técnica, o que nos permitiu manter o equilíbrio do plantel e estou certo, que assim será este ano.
O plantel desta época tinha jogadores de terceiro ano, com muita qualidade, mas também tinha, atletas de primeiro ano com igual qualidade. Estou confiante, que vamos ter um excelente plantel.
Na formação é sempre um ciclo de alterações, de trabalho, de mudanças e de recomeço, mas a nossa formação trabalha muito bem, em todos os escalões.

Então, está garantida a continuidade?

Todos os anos tentamos no mínino, igualar o já feito, mas a nossa ambição é melhorarmos sempre, nem que seja só um pouco.


Despedindo a camisola de treinador do Boavista, como “viste” este campeonato de sub-20?

Não tenho dúvidas em afirmar que foi um grande passo no futsal de Portugal. Tenho que dar os parabéns a quem o idealizou na Federação, o Pedro Dias, o selecionador Nacional, Jorge Brás, o Pedro Palas, o José Luís. Este campeonato foi claramente, uma aposta ganha.
Penso que mesmo não sendo num futuro muito próximo, que vamos ver e beneficiar dos frutos que esta mudança competitiva provocou, iremos, certamente, a breve prazo ver esses jovens,  a alimentar planteis seniores, com possibilidades para os fazerem mais fortes e competitivos.

Termina a debandada de muitos jovens, que nos planteis seniores faziam uma “atravessia do deserto” em termos de utilização?

Não há dúvida nenhuma que os atletas estão a sair muito melhor preparados, que saíam há três anos atrás. O facto, de ser um campeonato em que estão as melhores equipas é um ponto a favor, a intensidade competitiva, leva estes jogadores, para um nível muito superior que anteriormente. O facto, de ser um campeonato com todos os jogos cronometrados, leva os jogadores para a realidade da primeira divisão.

E na visão dos treinadores?

Todo este conjunto, obriga-nos a nós, treinadores, que tenhamos que ser cada vez melhores para contrariar todas as situações que nos aparecem. É uma evolução constante de todos, que vai tornar este campeonato cada vez mais competitivo e evoluído.

A Federação, vai arrancar com este modelo, no escalão de Juvenis. Concordas?

Concordo com a Federação, nesse projecto, mas sei que não vai ser fácil para os clubes, por causa de investimentos grandes que este conjunto exige. Estamos a falar de um campeonato que envolve muitos custos e uma logística muito grande.  
Na prespectiva de dirigente, deve ser muito complicado ter duas equipas, juvenis e juniores em provas com essa envergadura. Como treinador, claro que apoio, mas reconheço que será um problema para os dirigentes e logo, para os clubes.
Inequivocamente, que neste panorama, com os juvenis a saírem mais fortes para os juniores isso vai dar mais qualidade aos planteis juniores e consequentemente refortalecer os seniores. Será um dinheiro de investimento, com retornos positivos.

Para a Federação, o projecto ficaria perfeito se todos os clubes tivessem uma equipa “B” nos campeonatos distritais, com a equipa principal no nacional. Como vês este desejo?

É preciso ver que este campeonato, se denomina como Sub-20, mas cada vez mais tem menos sub-20 a jogar. Este ano. podíamos ter cinco atletas sub-20,inscritos no jogo. Para o ano só podemos inscrever no jogo, quatro e, dentro de dois anos só poderemos inscrever três atletas nestas condições por jogo.
Claro que a equipa “B” poderia ser utilizada para rodar atletas juvenis a ganharem traquejo num campeonato júnior, mesmo que distrital. Acho que seria uma vantagem, mas uma vez mais, estou a falar como treinador. A realidade dos clubes pode não permitir essa aposta.

Vamos terminar a entrevista e encerrar a época. Qual a mensagem que o treinador quer enviar a todos os adeptos e colaboradores?

Quero agradecer muito a várias pessoas. Primeiro à minha equipa técnica. Ao Nuno Guimarães, ao João Magalhães, ao João Cardoso e ao Fernando. Quero agradecer aos meus directores pela paciência que muitas vezes tiveram que ter comigo e especialmente ao Rui Costa por todo o trabalho que teve e por toda a envolvência durante toda a época. Quero agradecer à Direcção do Boavista pelo tudo que nos deu para que nada nos faltasse.
Por último, quero agradecer a todos os adeptos que até nos momentos bons, marcaram presença nos nossos jogos e aos pais dos atletas que muito nos ajudaram em várias situações.

Como está o João Marques para a próxima época?

Motivado. Quando acaba a época estamos saturados e queremos férias, mas após duas semanas de paragem e já estamos desejosos pelo recomeço.
Estamos motivados e conscientes que vamos trabalhar muito para, no mínimo, igualar esta prestação e vencer a aposta de atingir a fasquia num ponto mis alto que apostamos coloca-la.

Entrevista de 
Manuel Pina