O Judo, teve
sempre, no Boavista, um lugar de destaque entre modalidades inseridas no quadro
da Ginástica. Depois de uma paragem, o Judo foi relançado há alguns meses pela
mão de um apaixonado pela modalidade, de nome, Pedro Pinheiro. Este professor
de trinta e cinco anos é responsável pela secção e foi com ele que tivemos uma
conversa para conhecermos, mais ao pormenor, o Judo no mundo da pantera.
Quando se
iniciou como atleta e a dar aulas de
Judo?
Iniciei-me
no Judo, como atleta, em mil novecentos e noventa e quatro e a dar aulas em, em
noventa e sete, nesse caso, só a crianças pequenas. Desde dois mil e um que dou
treinos de competição.
Em que
clubes têm dado as suas aulas?
Primeiro no
Clube Judo do Porto, em seguida no Infante Sagres e agora, no Boavista.
Que grau
tem?
Sou terceiro
dan.
O judo
esteve parado por uns tempos no Boavista. O senhor recomeça a sua actividade há
cerca de um ano. Foi difícil esse recomeço de actividade? Como conseguiu formar
as suas equipas?
Sabia que o
anterior professor tinha deixado o clube e considerei, que seria uma
oportunidade para apresentar o meu trabalho no clube, sabendo que o Boavista é
um clube muito grande, apresentei uma proposta para trazer para aqui o Judo. O
Boavista aceitou a minha proposta e aproveitei alguns atletas do meu clube
anterior e iniciei a actividade no clube. Mas temos aqui muitos atletas novos,
graças à publicidade que fizemos, distribuímos cerca de vinte mil prospectos e
começamos a actividade.
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Alexandre silva na luta que lhe deu o Título Nacional |
Mas foi
difícil?
Começar e
recomeçar, nunca é fácil e começar a sério, só começamos em Setembro. O início
foi Junho/Julho mas aulas a sério, considero que foi só em Setembro.
Quantos
alunos, tem neste momento?
Temos entre
cinquenta e sessenta alunos.
Esse número
é suficiente, ou por outro lado, as turmas podem crescer? Qual é o limite que
aceitas como inscrições?
Neste
momento e com as aulas que temos abertas, penso que poderemos ter cerca de
cento e vinte atletas confesso que neste momento, está um pouco abaixo que o
que esperava, mas talvez devido à crise, os números estão a cinquenta por cento
do que podemos conseguir.
A
calendários para atingir metas?
No final do
ano queremos ter sessenta, para o ano terminar com cerca de oitenta/noventa e
em dois mil e quinze atingirmos os cento e quinze/vinte.
Vamos falar
de valores. Quais os custos, para o ingresso de novos atletas?
Estamos,
actualmente a reavaliar os valores com que inicialmente partimos como base,
para este projecto. Para as crianças mais pequenas, podemos divulgar porque já
o baixamos este ano e por isso, o iremos manter é de trinta e dois euros por
mês, para três aulas semanais de actividade. Para os outros valores, acho não
ser coerente anunciar, para já, pois como já referi iremos baixar um pouco dos
praticados agora, porque a crise, também se faz sentir nesta modalidade. Após
análise cuidada, anunciaremos os valores definitivos a apresentar para a nova
época.
Vamos falar
dos treinos. Quantos treinos semanais, se as turmas são separadas e quanto
tempo de treino por aula?
As turmas
são separadas, por idades e classes. Apesar de hoje em dia, as pessoas verem o
Judo como uma arte Marcial, um judo é mais que isso, para nós o Judo é um
desporto. Mantendo aquela parte das artes Marciais, com uma visão Oriental, da
ética e da moral, também temos uma organização como qualquer, outros desportos.
Para isso, temos que dividir os alunos por classes. Temos uma classe de
crianças de quatro a seis anos, temos outra dos sete/oito/nove anos, outra
ainda, dos dez aos treze e depois, temos a classe de competição. Todas as classes
têm três aulas, sendo que os atletas de competição têm que trabalhar todos os
dias.
Todos os
dias?
Quem quer
ser um atleta campeão tem que trabalhar, pelo menos, uma vez por dia.
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Festejando o título Nacional com Alexandre Silva |
O Judo é uma
modalidade de combate, ou uma modalidade espiritual e de exercício de
agilidade?
O Judo é
muito grande. Pode ser só uma actividade de combate, pode ser só uma actividade
apara as pessoas relaxarem de um dia de trabalho, para as crianças é uma
actividade de formação e educação, pode ser muita coisa simultaneamente. Podemos
estar todos na mesma aula, com objectivos diferentes, porque as técnicas de
Judo são sempre as mesmas. Os objectivos com que as treinamos é que podem ser
diferentes, quem estiver mais interessado em defesa pessoal, se calhar vem
treinar mais técnicas de defesa pessoal, quem estiver interessado em competição
tem que treinar essas técnicas. Considero, por tudo isto, que tem mais a ver
com a intenção da pessoa que pratica de que com actividade em si.
Posso dar um
exemplo, temos aqui um senhor com sessenta e dois anos, que começou a praticar
este ano – passei-o esta semana para cinto amarelo – que pratica só para estar
inserido num grupo de malta mais jovem. Nesse mesmo treino, temos dois jovens
que trabalham para serem campeões nacionais e fazem o mesmo que esse senhor.
Vamos
esclarecer. O Judo e o Karaté são diferentes. Muito ou pouco?
Vou ser
sincero. Eu percebo pouco de Karaté. São jogos muito diferentes e acho que as
pessoas comparam porque andamos todos de fato branco. O Judo e Karaté são mais
diferentes que o futebol é do andebol. No futebol marcam-se os golos com os
pés, no andebol é com as mãos. No Judo só há socos e pontapés, só para estudar
a defesa pessoal e é só praticado por alunos numa fase muito avançada de
competição e formação. No Karaté não há projecções até porque o tapete é muito
pequeno. A única coisa em comum é mesmo, andarmos de fato branco, termos ambos
cintos pretos e terem vindo ambas do Japão. As pessoas associam esses factos, mas são
modalidades completamente diferentes.
As condições
que tem para o seu trabalho, são as ideais ou precisa de algumas melhorias a
curto prazo?
Eu trabalho
todos os dias para melhorar as nossas condições, mas sinceramente, o que
precisamos, hoje em dia são coisas pequenas. Temos no Boavista condições
fantásticas, temos no clube o maior tapete de Judo da zona norte de Portugal.
Temos um grande apoio médico que é prestado pelo Doutor Pinto Sousa e pelo
senhor Sobreiro, deixo aqui as minhas homenagens a estes dois Senhores, no Judo
esse apoio é fundamental, principalmente para atletas de competição. Embora o
Judo não seja um desporto de combate, por vezes acontecem lesões, por exemplo,
na natação também não suposto alguém se magoar, mas as lesões acontecem. O que
temos permite-nos fazer todo o trabalho que precisamos no Judo.
Satisfeito
por isso, com as condições oferecidas?
Posso
dizer-lhes que seremos dos clubes nacionais com melhores condições para
praticar a modalidade.
Falando de competição. Qual o momento actual do Boavista nas competições?
O nosso
projecto engloba o facto de termos atletas que façam Judo de Alto Rendimento. O
trabalho que vimos a realizar há uns tempos, por mim e atletas que me
acompanharam de outros clubes e atletas até, de outros países, faz-me afirmar
que estamos a chegar ao patamar desejado. Para além deste que referi, temos um
grupo de cinco/seis atletas que querem ser … atletas de alta competição.
Atenção que entre o querer e o ser, vai uma diferença muito grande. Temos um
atleta que pelos resultados se tem feito notar a nível nacional, foi Campeão
Nacional de juniores de 55 kg, que é o Alexandre Silva. Para as pessoas terem a
noção das coisas, temos que dizer que no distrito do Porto, há mais de vinte e
cinco anos que não havia um campeão nacional de Judo nesta classe. E na zona
norte um campeão masculino, já não há mais de vinte e cinco, ou seja o que este
atleta conseguiu é um feito extraordinário.
Mesmo extraordinário
que quase ninguém se apercebeu…
Para além do
Alexandre, temos mais um atleta da sua idade, o João Mota, a quem infelizmente,
o campeonato nacional não correu pelo melhor, que é um atleta que treina e se
esforça tanto como o Alexandre, mas o campeonato de Judo é ingrato, porque é um
dia só. Tudo se joga naquele dia e um simples lance pode deitar tudo a perder. Basta
acordar mal disposta, basta um erro, enquanto, por exemplo, na ginástica ainda
tenho mais dois aparelhos para poder recuperar, no Judo isso, não existe!
Voltemos ao
João…
É um atleta
que treina muito, aliás estes dois atletas estão neste momento, no estágio da
selecção Nacional de Juniores. Estão na secção de Portugal a treinar com as
selecções do Brasil, Canadá e Noruega, durante esta semana da Páscoa em Coimbra.
Depois destes, que são os nossos pontas de lança, quero destacar a Joana Baptista, que apesar de ser o seu primeiro ano de Cadetes, (sub 18) apesar de só ter 14
anos… é uma atleta que o ano passado foi medalhada, no campeonato Nacional de
sub15. Este ano foi a atleta com melhor resultado da sua categoria. No conjunto
de todos atletas que fazem quinze anos este ano, ela ficou em quinto lugar! Todas
as outras que disputaram as medalhas com ela, faziam dezassete anos. A Joana
tem uma capacidade de trabalho fantástica.
No futuro a
curto/médio que eventos, tem programados?
Há um quero
destacar. É um evento que nos é caro, organizado pelos clubes da zona norte que
é o evento denominado, por Liga Luso-Galega, realizado por jornadas. O nosso
objectivo não é ganhar, mas proporcionar aos nossos atletas seniores que não
são de competição, tenham um momento de competição, sem ser uma competição de
Alto Rendimento. A próxima jornada será a 30 de Março e a última a 20 de Abril
aqui no Porto. Todos lutam contra todos e por exemplo na última jornada
vencemos a académica de Coimbra um dos clubes mais fortes do nosso país. Mas fruto
do nosso treinador (eu) perdemos depois com as equipas mais fracas. Porque todos
lutam, sem apostar no primeiro lugar, para isso temos o campeonato Nacional,
isto é uma prova para ganhar conhecimento competitivo e todos participarem.
É um
incentivo para o trabalho?
Sim, o lema
é, divirtam-se e depois vamos todos jantar. Gostava de salientar mais uma prova
que espero ver os nossos atletas convocados pela selecção nacional, que é o
Torneio de Juniores Teresa Herrera, que se disputará na Corunha. Caso não sejam
convocados pela selecção Nacional, nós iremos marcar presença representando o
Boavista, porque este torneio é de nível europeu. Para além destas, temos mais
competições agendadas, mas estas são as mais relevantes.
Entrevista de
Manuel Pina