terça-feira, 24 de abril de 2012

VOLEIBOL - A RAÇA E O DESPORTIVISMO

No desporto, existem alguns factos indiscutíveis, que um verdadeiro desportista, tem sempre em conta. Existem aspectos positivos e outros antagónicos! Não existem vitórias morais! Para se vencer alguém terá que perder!
Acompanhei, de muito perto, todo o trabalho de uma época que a equipa de Voleibol realizou, perseguindo um sonho, que consideravam possível.
Foram semanas de treinos constantes, foi a demonstração de uma raça e dedicação para ultrapassarem dificuldades e outros obstáculos. Sempre conscientes das dificuldades, mas sempre apostadas em vencer.
No último jogo, as panteras perderam com uma equipa profissional, apostada em se elevar para os mais altos voos do Voleibol português. A diferença entre o simples amadorismo e o profissionalismo, acabou por decidir o título Nacional.
As nossas atletas, treinavam depois de um dia de trabalho, as adversárias, usufruíam de um dia de total dedicação para treinarem. Esquemas de jogo, estudo do adversário, etc…
Na hora decisiva… isso foi decisivo!
Não há vitórias morais!
Ganhou quem nesse jogo, foi melhor!
Isso mesmo, assumiu, o temperamental e emotivo técnico axadrezado, que durante o jogo tudo faz para levar a sua equipa à vitória… mas posteriormente ao jogo, sabe analisar e valorizar quem venceu!
A Lusófona venceu. Mas o Boavista, perdendo, não foi derrotado!
Mostrou desportivismo, soube reconhecer a vitória adversária e saiu da prova como nela entrou e durante toda a prova esteve. De cabeça levantada e com extrema dignidade!
Sei, que as atletas Boavisteiras ainda não ultrapassaram a sua dor e desilusão. Mas sei, também, que devem estar orgulhosas com o seu percurso e trabalho desenvolvido.
Nisso, foram campeãs!
Esta é a mensagem que tenho obrigação, de tornar público, porque – repito – sei bem, como trabalharam para conseguir o seu sonho.
Uma palavra, para a organização axadrezada, que esteve impecável e calou muitas opiniões destrutivas, a nível nacional.
Neste ponto, o Boavista foi claramente vencedor. Essa organização teve muitos colaboradores anónimos. Por esse motivo, permitam-me que nomeie uma pessoa que muito sofreu, mas nunca abandonou a sua missão. Refiro-me a Graziela Palmeira. Apostou…teimou e venceu!
Termino, com uma palavra para o público, mesmo para quem só viu estes jogos da final, o seu comportamento foi excepcional! Deslocaram-se ao pavilhão para serem campeões e viram o seu adversário levar o título… mantiveram-se como verdadeiros desportistas, aceitando a derrota e aplaudindo todos os intervenientes.
No desporto para uns vencerem outros têm que chorar! É a essência do desporto! Os espectadores assumiram isso!
Foi bonito e digno para as cores do Boavista! Só os grandes Campeões sabem aceitar as derrotas.


Parabéns Panteras.
Manuel Pina Ferreira