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ESTA ÉPOCA, O BOAVISTA FUTEBOL CLUBE CONTINUARÁ A PARTICIPAR EM VÁRIAS MODALIDADES A NÍVEL NACIONAL, COM OS OBJECTIVOS DE HONRAR O NOME DESTE CLUBE. O ANDEBOL SÉNIOR E VOLEIBOL FEMININO, DISPUTAM O PRIMEIRO ESCALÃO NACIONAL... OUTRAS MODALIDADES LUTAM PELO REGRESSO A ESSE ESCALÃO.


domingo, 6 de novembro de 2011

FUTSAL - O JOGO QUE EU VI

ENTRE PORMENORES E BABAS… O BOAVISTA ACABOU POR (SE) PERDER


BOAVISTA FC 2 – AR FREIXIEIRO 4

Ao intervalo 1-2
Pavilhão do GD Viso
Árbitros
Romeu Afonso -AF Castelo Branco
Marco Rodrigues –AF Guarda


CONSTITUIÇÃO DAS EQUIPAS
BOAVISTA FC
BUFFON, IVAN, NUNO, PEDRO e MIGUEL
jogaram ainda:
BERTO, HUGO, ORLANDO, SÁ PINTO e TEIXEIRA


AR FREIXIEIRO
BABAS, RICARDO, COELHO, CÔCO e TIAGO SOARES
Jogaram ainda:
TIAGO BRITO, ANDRÉ,

DISCIPLINA
AMARELOS;
RICARDO (3), MIGUEL (8), IVAN (26), ANDRÉ (34)
VERMELHOS;
MARCOS (8), CÔCO (36) – ambos os vermelhos directos quando se encontravam no banco.



MARCHA DO MARCADOR
1-0 Pedro (4)
1-1 Paulinho (8)
1-2 Tiago Brito (11)
2-2 Fábio (27)
2-3 Pedro (28) (PB)
2-4 André (34)



Foi um jogo de contra censos e pormenores. Comecemos pelos últimos.
O futsal é modalidade de pormenores, jogada num espaço que é inferior cerca de nove vezes de um campo de futebol de onze. Em dimensões, enquanto o futsal se joga numa área de 800 metros quadrados, o futebol joga-se em cerca de 7000 metros quadrados. De comuns, só têm o facto de se jogar com os pés… tudo o restante, é totalmente diferente! A estas diferenças – e por causa delas - se acrescenta um por(maior)menor. Um erro, a meio campo no futebol, raramente cria perigo para uma das balizas, num futsal um erro a meio campo… pode ser fatal!

Assim o público do futebol, quando se dirige a um pavilhão para assistir a um jogo de futsal, geralmente equivoca-se ao não conseguir “ver” estas diferenças e acaba por não conseguir perceber sequer o jogo a que assistiu.

O jogo entre os rivais acabou por ser de tudo atrás registado um exemplo, terminando com alguns (poucos) adeptos do Boavista a insurgirem-se contra o técnico da casa, porque viram um jogo de futebol, onde todos consideram entender e esta situação faz parte do “folclore” quando se perde.

Começou bem o Boavista, pressionante e rematador nos primeiros sete minutos de jogo, criando vário frisson junto da baliza Matosinhense e trazendo para a ribalta a actuação (brilhante) de Babas, guarda-redes do Freixieiro.


Mesmo assim, os axadrezados chegaram ao golo nesse período por intermédio de Pedro num remate cruzado de fora da área. O Boavista saía muito bem da sua zona defensiva em rápidos contra ataques enquanto o Freixieiro privilegiava o jogo apoiado e via Buffon defender os remates que desferiam às redes do xadrez.

Na passagem dos oito minutos Buffon defendeu com os pés uma bola que ressaltou para Paulinho que à boca da baliza fez o empate. O jogo acalmou e as equipas passaram a joga mais lentas, mas mais, pela certa, até que aconteceu… um dos tais pormenores!

Num lance sem qualquer perigo, Tiago Brito resolveu rematar. O guardião axadrezado encoberto? Nem viu a bola partir e ficamos com a sensação que nem viu quem rematou. Fosse como fosse, o Freixieiro virava o resultado a seu favor.


Até ao final deste tempo registaram-se vários lances a fazer brilhar Babas, juntando a por duas vezes ter visto os seus postes devolverem a bola… fez ao minuto treze duas defesas consecutivas, que só presencialmente se podem imaginar, evitando um empate em dois remates a um metro da sua linha de golo.

Antes do intervalo, Côco mostrou toda a sua técnica ao receber um ressalto de bola e com Buffon no solo e de costas para a baliza, deu três toques na bola, sempre sem a deixar cair e rodando sobre si, desferir um remate que só não foi fatal, porque Miguel sobre a linha de golo cortou de cabeça. Seria um golo tão injusto como brilhante!

O jogo recomeçou igual aos primeiros minutos, aberto de ataque e contra ataque e com os guarda-redes ( no Boavista tinha entrado Berto) a mostrar os seus dotes. O Freixieiro apostava em sistemas tácticos alternados. Quando tinha posse de bola, quase jogava em dois/dois para abrir jogo no seu meio terreno, obrigando o Boavista a “gastar” dois elementos em zonas defensivas. Quando o esférico passava para o Boavista, os matosinhenses jogavam em três/um colocando o pivot bem fixo para defenderem com três contra três pois alguém teria que marcar o mesmo pivot. Esta forma de jogar iria originar erros no meio do terreno e o Freixieiro apostava nela, pelo facto de estar a vencer e esperar que ansiedade axadrezada produzisse (maus) efeitos!

E por maior contra censo que possa parecer foi o Freixieiro a (primeira) vítima. Na marcação de um livre perigoso contra o Boavista, os matosinhenses adiantaram-se todos e perderam concentração, marcando mal o livre e proporcionando um contra ataque axadrezado de três para um. Fábio recuperou a bola e inteligentemente beneficiando da dúvida do defensor contrário e das desmarcações dos seus colegas… levou o lance até final e empatou o jogo.

Passava o minuto vinte e sete!
Se um pormenor deu o golo do empate, outro o tirou. Ainda nem uma volta do relógio tinha dado o ponteiro dos minutos, já o Freixieiro repunha a diferença no marcador. Uma bola perdida a meio acampo numa jogada ofensiva do Boavista, permite um lance de três para um aos encarnados, que vêm Berto defender, mas contra um seu colega que acaba por intruduzir a bola na sua baliza.


Esse lance não matou o jogo, mas matou (em grande parte) o Boavista! A equipa sentiu esse golo e nunca mais foi a mesma. Diminuiu a pressão, deu espaços ao Freixieiro que passou a jogar demasiado sossegado para quem só tinha um golo de vantagem.

Por incrível que possa parecer, Babas passava a ser indiscutívelmente o melhor em campo! Porque, mesmo sem jogar bem, o Boavista sempre que tinha bola rematava. E Babas fez defesas incríveis. Mais um contra censo, de uma equipa jogar e controlar o jogo e ver o seu guarda-redes brilhar!

Num lance de ataque o Boavista tentava uma diagonal a meio do seu meio campo que foi interceptada e de novo se cria um lance de três para um que acaba em golo na baliza do Boavista, agora ocupada por Hugo, por lesão de Berto. Os tais erros, que em futebol nada produzem e que no futsal são fatais!

Alberto Melo, adiantou Miguel como guarda-redes volante, provocando o cinco para quatro mas sempre feito demasiado lento e algumas vezes mesmo parado, nada viria a produzir.

No último minuto, Babas carimbava a sua extraordinária exibição fazendo duas defesas impossíveis!!!

No futsal, um guarda-redes é meia equipa. Um (grande) guarda-redes não deve defender só as bolas que têm defesa, tem que defender alguns lances que não têm defesa! Foi o que Babas hoje fez e é só mais um por(maior)menor do jogo.

O Freixieiro que controlou o jogo, depois do lance do três a dois, mereceu vencer, pois foi coeso, calmo, lutador e mais organizado, mas acabou por ver o seu guardião como o Melhor em campo! Um contra censo, mas real!

Esteve bem a arbitragem num jogo muito calmo e disciplinado. Duas expulsões de jogadores que estavam no banco! Só os jogadores e o árbitro sabem o que se passou!

O POSITIVO

Foi o primeiro Boavista-Freixieiro disputado no Viso. Mas foi jogo muito bem disputado mas com total correcção quer dentro quer fora das quatro linhas. Estão de parabéns equipas e público presente!

O NEGATIVO

Para além das expulsões referidas – como se podem aceitar expulsões de jogadores no banco? – registamos como negativo a reacção de alguns adeptos Boavisteiros contra Alberto Melo, pela derrota. São adeptos de futebol habituados a estas manifestações que (talvez) não entendam o suficiente de futsal. Mas se não entendem como podem contestar o trabalho do treinador?

Não acham este “pormenor” um contra censo?

Manuel Pina